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Marielle Franco

Marielle Francisco da Silva (1979-2018), conhecida publicamente como Marielle Franco, foi uma política brasileira.

Formada em Sociologia (pela PUC-Rio) e com Mestrado em Administração Pública (pela UFF), Marielle foi eleita Vereadora do Rio de Janeiro pelo PSOL (Partido Socialismo e Liberdade) no ano de 2016. Negra, mulher, feminista, pobre, criada na favela e gay, Marielle representou uma série de minorias ao longo da sua vida política. A socióloga presidiu a Comissão da Mulher da Câmara, foi defensora dos direitos humanos e das causas LGBTI.  Marielle era filha de Marinete da Silva e Antônio Francisco da Silva Neto e tinha como irmã Anielle Franco. A família vivia na Complexo da Maré, região pobre situada no Rio de Janeiro.  Aos 19 anos, Marielle deu à luz a sua única filha, Luyara Franco, fruto de uma relação com o seu primeiro namorado.  Marielle foi companheira da arquiteta Mônica Benício, com quem se relacionava desde 2004. Marielle foi vendedora ambulante, dançarina, empregada doméstica e educadora infantil até reunir dinheiro para pagar os próprios estudos.  Após a morte de uma amiga próxima, vítima de bala perdida, Marielle resolveu se dedicar à militância pelos direitos humanos. A socióloga trabalhou na Redes da Maré e criticou duramente os abusos de poder das forças policiais.  Em 2006, Marielle acabou por integrar a equipe da Comunidade da Maré que fez campanha para o deputado Marcelo Freixo, político carioca considerado o padrinho político de Marielle.  Marielle se elegeu em 2016 para a Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro pelo partido PSOL com 46.502 votos. Ela foi a quinta vereadora mais bem votada da cidade.  Durante o mandato, a socióloga presidiu a Comissão da Mulher da Câmara. Defensora dos direitos humanos, coordenou, junto com Marcelo Freixo, a Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). Marielle apresentou na Câmara o projeto do Dia da Visibilidade Lésbica, que não foi aprovado por apenas dois votos. Ao longo do período em que atuou como vereadora apresentou 16 projetos de lei, especialmente pensados em políticas públicas para negros, mulheres e LGBTI. No dia 14 de março de 2018, uma quarta-feira, o carro onde estava Marielle foi atingido por 13 tiros que tiraram a vida dela e do motorista Anderson Pedro Gomes. Na ocasião Marielle tinha 38 anos e o motorista 39 anos. O crime aconteceu durante à noite, por volta das 21h30, na Rua Joaquim Palhares, no Estácio, região central do Rio de Janeiro. No carro estava a vereadora, a assessora parlamentar Fernanda Chavez e o motorista Anderson Pedro Gomes. Eles voltavam de um evento realizado na Casa das Pretas, um espaço coletivo de mulheres negras situado na Lapa, quando foram subitamente alvejados.

Padre Júlio Lancellotti

Pedagogo e presbítero católico brasileiro. Exerce a função de pároco da paróquia de São Miguel Arcanjo no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo. Além da paróquia, o padre também é responsável pelas missas realizadas na capela da Universidade São Judas Tadeu, situada na mesma rua.  Segundo dos três filhos do casal Milton Fagundes Lancellotti e Wilma Ferrari, descendentes de imigrantes italianos, Júlio nasceu no hospital São José do Brás. Seu pai era comerciante e possuía uma mercearia. A mãe, quando solteira, operou como secretária em escritórios de advocacia e em algumas empresas; ao casar-se, por imposição dos costumes da época, abandonou sua carreira para se dedicar ao lar. Tornou-se cozinheira e passou a servir refeições em sua casa para contribuir com o sustento da família. Culta, era fluente em espanhol e tinha o hábito da leitura; ensinou aos filhos as primeiras letras. Júlio iniciou sua educação formal no Educandário Espírito Santo, mantido pelas Missionárias Servas do Espírito Santo, no Tatuapé. Aos doze anos, entrou para o seminário em Araraquara, mas, incomodado com a rigidez da instituição, retornou para São Paulo, onde terminou o ginásio numa escola de presbíteros agostinianos. Decidiu mais uma vez se preparar para a carreira religiosa, chegou a ser frade, mas, aos dezenove anos, largou a batina novamente. Nesse ínterim, concluiu um curso de auxiliar de enfermagem na Santa Casa de Misericórdia de Bragança Paulista e passou a exercer a profissão. Ingressou depois nas Faculdades Oswaldo Cruz e concluiu o curso de Pedagogia. Em seguida, fez especialização em Orientação Educacional na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde atuou como professor-assistente do professor Carlos Alberto Andreucci, além de ministrar aulas nas faculdades Oswaldo Cruz, Castro Alves, Piratininga e no Instituto Nossa Senhora Auxiliadora, sendo neste último, voltado para preparação para o magistério. Lancellotti também trabalhou no Serviço Social de Menores, que, mais tarde, se transformou na Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social, e no Centro de Apoio ao Imigrante, no Brás, dando aulas para crianças com dificuldade de aprendizado. Em 1980, conheceu Dom Luciano Pedro Mendes de Almeida, então bispo-auxiliar de São Paulo, e ficaram muito próximos. Juntos, fizeram toda a fundamentação da Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo. Um ano depois, começou a estudar Teologia e foi ordenado sacerdote em 20 de abril de 1985. Participou com Dom Luciano Mendes de toda a fundamentação da Pastoral do Menor da Arquidiocese de São Paulo. Participou dos grupos de fundação da Pastoral da Criança e colaborou na formulação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Atua junto a menores infratores, detentos em liberdade assistida, pacientes com HIV/Aids e populações de baixa renda e em situação de rua. Acredita na pessoa humana acima de tudo, "como imagem e semelhança de Deus" e considera que todos os cidadãos que devem ter seus direitos respeitados. Em 26 de julho de 1991, fundou a "Casa Vida I" e, posteriormente, a "Casa Vida II", para acolher crianças portadoras do vírus HIV. Como vigário episcopal do Povo da Rua da Arquidiocese de São Paulo, está à frente de vários projetos municipais de atendimento à população carente, como é o programa "A Gente na Rua", formado por agentes comunitários de saúde, ex-moradores de rua.

Luigi Tenderini

Numa pequena aldeia das montanhas da Itália, em 22 de janeiro de 1943, nasceu Luigi Tenderini. Aos 25 anos, em 5 de novembro de 1968, o jesuíta atravessou o Atlântico e, depois de 13 dias, desembarcou no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro-RJ, pensando em continuar seu caminho de formação para se tornar sacerdote, entretanto, com apenas duas semanas em Teresina (PI), recebeu a notícia que havia sido decretado o Ato Institucional N° 5, considerado o “golpe dentro do golpe” da ditadura civil-militar no Brasil, e, devido ao compromisso de Luigi com o Evangelho e com os mais pobres, o rumo da sua vida no Brasil tomou outra direção.  Após morar no Piauí, viajou novamente para residir no estado de São Paulo, onde se tornou metalúrgico e aderiu aos movimentos sindicais e populares, que além de reivindicarem pela dignidade dos trabalhadores e trabalhadoras, lutavam pelos direitos negados pelo regime ditatorial. Ademais, Luigi (ou Luís, como ficou conhecido no Brasil) participou ainda dos movimentos operários católicos, assessorados por Dom Paulo Evaristo Cardeal Arns, os quais foram embriões da Teologia da Libertação no Brasil e na América Latina. Devido ao seu engajamento político, Tenderini foi sequestrado, preso e torturado, por meio de choques elétricos e do “pau de arara” (método de tortura que consiste em pendurar o torturado pelos joelhos em uma barra horizontal, com as mãos amarradas junto às canelas, causando fortes dores em todo o corpo e o deixando totalmente vulnerável a espancamentos, choques e outras violações físicas e psicológicas), no DOI-CODI de São Paulo. Em 1979, Luigi recebeu um convite de um grupo de trabalhadores do Nordeste e se mudou com a sua família para o Recife-PE, onde foi um dos fundadores do CENAP (Centro de Educação Popular do Nordeste), do CENDHEC (Centro de Estudos Dom Helder Câmara) e membro da Comissão de Justiça e Paz da Arquidiocese do Recife, a qual presidiu por indicação do então Arcebispo de Olinda e Recife e seu parceiro e amigo nas lutas populares, Dom Helder Câmara. Em março de 1989, após denunciar na imprensa local a ação dos grupos de extermínio (esquadrões da morte), Luís sofreu outro sequestro e foi novamente torturado. Na cidade que, no início do século XXI, o concedeu o título de cidadão honorário, Recife, Luís Tenderini fundou, ao lado de Dom Helder, em 16 de agosto de 1996, a Associação dos Trapeiros de Emaús (ou simplesmente "Trapeiros de Emaús", como é mais conhecida), a qual é uma das 400 comunidades Emaús, espalhadas em 40 países do mundo, filiadas a Emaús Internacional, movimento fundado na França pelo Abbe Pierre, em 1949. E, desde a fundação, Luís – que recebeu, da Presidência da República Italiana o reconhecimento “Estrela da Solidariedade” e a honorificência de cavalheiro - lidera a Associação, que já recebeu o Título de Utilidade Pública Municipal, concedido pela Câmara de Vereadores do Recife, a Medalha João Alfredo, do Tribunal Regional do Trabalho e a Medalha Leão do Norte, Mérito Ambiental, da Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco.